2011/01/01 – Escalando o Vulcao Villaricca


Hehehe, é isso mesmo que vocês estao lendo meu amigo. Como disse no post anterior, a maior aventura até agora.

Ontem estava andando pela cidade observando o vulcao que solta uma fumaca o tempo todo, imaginei entao que por ele ser o mais ativo, e ser perigoso, nao era permitido subir até o cume.

Porém, vi algumas agencias escrito, trekking no vulcon, e fui averiguar o que era, e realmente era até o topo, somente andando, pois nao hávia nenhuma parte vertical. Meu amigo, foi nessa hora que falei, ¨Demoro, quanto é esse negócio?¨. ¨Sao 70 mil pesos¨, :S . Ooopa, agora complicou, isso da mais ou menos 200 dolares, era muita grana, e eu nao podia gastar tudo isso em um dia.

Sai meio desconsolado dali ne, porque ver aquele vulcao tao de perto e nao subi-lo, era como um jovem virgem com uma mulher nua na sua frente e ele nao poder fazer nada.

Vi outras agencias oferecendo o servico, e depois de procurar muito, achei por 38 mil, da um pouco menos que 100 dolares. Bom, ai ja era pra mim, apesar que mesmo assim, terei o restante da minha viagem comprometido por esse ato quase que impensável.

Acertei tudo lá, que já era fornecido os equipamentos e tudo mais, e voltei pro camping, acordei hoje entao as 6:00, tinha que estar la ás 7:00, cheguei la em ponto, e um pouco depois chegaram 2 franceses que tambem iam, depois chegou mais 2 alemaes que tambem iam. E em seguida os instrutores, eram 3.

Provamos as roupas, e depois que tudo se encaixou, pegamos uma van até o pé no volcao, para começar a subida. No caminho percebi que estava entre experientes escaladores. Eu já sabia que pra mim ia ser difícil, porque apesar de fazer os trekking na Serra da Canastra, passeios de bike, nada se comparava. E além do mais eu nao estou em forma pra esse tipo de aventura. Mas eu ia de qualquer jeito mesmo.

Chegamos la, e vi que realmente o negócio era feio, tinhamos que utilizar até a machadinha. Como já estava ali mesmo, vamos tentar né. Iniciamos a súbida, e logo percebi que os cara que estavam ali eram foda e logo foram afastando montanha a cima, um dos guias foi me acompanhando, e nós ficavamos em média 10, 15 minutos atrás deles.

Primeiro subimos uma grande montanha de areia e pedra, para entao chegar na neve, que diga de passagem, era meu primeiro contato físico com ela. Começamos a andar na neve, e já era utilizado a machadinha a todo momento, nao só para cavar os locais do passo como para apoiar as maos naquela súbida tao incrime.

Chegamos até um ponto depois de 2 horas que olhando pra cima achei que já estava quase, faltava 200 metros dos 1000 que tinhamos que subir. Porém aquele era o trecho mais díficil, totalmente no gelo, que é bem mais duro que a neve e bem incrime mesmo.

Fomos andando a passos curtos, e era básicamente 3 pasos milimetrados e uma fincada na neve, isso era o tempo todo, era uma coisa muito exaustiva, e realmente em alguns momentos eu até pensava em desistir. Estava muito cansado e o psicológico nessa hora era o mais foda. Eu tentava cantar música, pensar em algo, mas nao dava, além da súbida, tinha o frio de 5 graus, com sensacao abaixo de 0 entrando pelas frestas da jaqueta, e nada era possível de tampar, mesmo estando com equipamentos apropriados, nao tinha como evitar o frio.

O grupo entao tomou uma distancia razoavelmente grande, e na 2 paradas, nem chegamos a alcancalos, o guia me perguntava se eu estava bem e se eu queria desistir, mas eu dizia que nao, apesar de sentir o coracao na boca, eu dava umas paradinhas de 30 segundos e andava mais 10 metros.

Nesse momento o ar estava raro-efeito, estavamos a 2550 metros de altura, faltava pouco para chega ao cume, mas cada metro percorrido sempre em zig-zag era como kilometros para mim.

Minha respiracao por dentro do casaco esquentava envolta de minha boca, e já nem tentava respirar tao ofegante porque era pior.

Parei em um determinado momento e olhei para cima, faltava 20 metros e eu chegaria no topo, porem ao perguntar pro guia, ele disse que ali era o falso cume, e depois teriamos 40 metros.

Cara, nesse momento eu estava ajoelhado na neve, com aquela mochila cheia de equipamentos nas costas, eu nao sabia o que fazia. Eu queria de qualquer maneira chegar la em cima, mas minhas coxas, todos os lados doia mas que tudo, o frio ainda ajudava aquela dor ser mais intensa. O guia perguntou novamente, ´Pablo, quer descer´, e nesse momento, por um fio de dizer sim, pensei que tinha pago 100 dolares, tinha andado 5 horas, e faltava 60 metros. Para mim eu seria um perdedor se desistisse ali, e levantei e falei, vamos subir.

Nesse momento ouvi pelo radio que o grupo havia chegado ao topo, meu instrutor também recebeu a informacao da central que estava se formando uma tempestado alí próximo, que tinhamos que chegar logo. Ele falou que tinhamos 40 metros, eu já avistava a fumaca saindo de dentro do vulcao, e disse que tinhamos 20 minutos para chegar la.

Naquela hora, nao sei de onde saiu energia, mas eu fui a pasos largos e mais rapido sem parar uma única vez, e sem olhar para cima. E quando percebi estava no topo.

Nesse momento, nada do que eu falar aqui vai expressar o que eu senti, eu sentei no chao olhando la pra dentro do vulcao, aquela fumaça saindo do chao, aquele calor, aquele cheiro de enxofre. A única coisa que pude fazer foi ajoelhar exausto, e ficar ali olhando, somente olhando, nao peguei a camera, nao fiz meu lanche, e nem olhei para os lados.

Fiquei durante alguns minutos naquela posicao se perguntando, como eu havia conseguido. Depois disso peguei a camera fiz um vídeo e em seguida fiz meu lanche. Que comi a 2680 metros de altura. Nesse ponto da para enxengar a curvatura da terra, eu via outros 3 vulcoes que estava bem distantes, via cidades distantes, e nuvens somente abaixo de mim.

Ficamos ali por cerca de 30 minutos e agora era descer. Eu nao havia pensado nisso né quando quis continuar, tinha gasto todas minhas energias, porém estava decidido em descansar um pouco mais e comecar a descer, e veio minha alegria. Vi os outros sentando em um plástico e sendo empurrado ladeira abaixo. Cheguei próximo e vi que desceriamos de skibunda. Huahuahua, agora sim. eu só olhava os escaladores descendo e descendo e quase sumindo na neve branquinha.

Peguei o meu banquinho, sentei em cima e só dei aquele impulso. Huahuahua, foi muito louco, descia bem rápido, e só tinha a machadinha para frear e parar se necessário seria dificil, mas estava tudo certo pra mim, aquele gelo sendo arremesado em minha cara, e olhando aquele precipicio lá embaixo, tinha que para ali. Mas nao estava nem ai, só diversao aquela hora, demoramos cerca de 20 minutos para descer tudo e depois a van nos buscou e fomos embora.

Alguns podem estar se perguntando, o porque de arriscar tanto, para chegar la em cima, ficar 30 minutos e descer. Em alguns momentos, nos aventureiros tambem pensamos nisso. Porém sempre que terminamos uma aventura dessa e chegamos em casa, ficamos com uma sensacao, que só passando para saber como é.

E esse foi o meu dia de hoje, terei que ficar mais 1 dia aqui porque estou sem condiçoes de seguir viagem hoje, mas amanha partirei cedo e pretendo chegar próximo a Santiago.

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Sobre Moderador

Aventureiro, desbravador, em cima de uma moto, uma bicicleta, ou mesmo a pé, o céu é o limite.
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Uma resposta para 2011/01/01 – Escalando o Vulcao Villaricca

  1. Mto Massa!
    Parabéns…. isso são histórias q vc vai contar para seus netos…hehehe

    Abs

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