2011/01/07 – Antofagasta – Ollague ( Fronteira com Bolívia )


Olá á todos, a quanto tempo não falo á vocês. Hoje, sábado 17/04, ás 3 da madrugada, o sono não chegou, então resolvi escrever mais um dia da grande viagem que fiz a 4 meses atrás. Puts, 4 meses, se passou tanto tempo, a dúvida agora talvez seja, lembrarei de um momento a 4 meses atrás? A resposta é sim, com toda certeza. É incrível que todo esse tempo tenha passado tão rápido mas tenha ficado momentos tão claros e vivos na minha mente da viagem, e ficará pro resto da vida com certeza. Tem alguns momentos que estou em casa, no trabalho, ou em qualquer outro lugar, e vêm na mente imagens de determinados momentos que não me lembrava tão nitidamente. É até hoje é uma viagem que quando olho no mapa e vejo onde fui parar, é como se a ficha ainda não tivesse caído. Bom, chega de papo, vamos lá a mais um relato.
 
Acordando pela manhã ao som do mar do pacífico e as gaivotas na praia, solzão do deserto como sempre já brilhando forte as 8 da manhã. Troquei contatos com BJ e cada um segui seu lado, ele partiu rumo ao Sul, e eu decididamente teria que voltar, pois a grana estava curta, alteraria meu curso que antes era sempre ao Norte, para agora andar ao Leste.
 
Hoje também terminaria a grande caminhada pela Ruta 5 ( Panamericana ), e iniciaria agora na Ruta 25, sentido Calama, última cidade grande que passaria antes de cruzar a fronteira com a Bolívia.
 
De Antofagasta a Calama foi tranqüilo, como nos últimos dias, sempre acompanhado de deserto por todos os lados, no caminho vi muitas linhas de trem, com trens enormes carregando uma espécie de galões, vários vagões com esses galões grandes em cima, pelo formato algum tipo de líquido, em algumas estações pelo caminho eu vi grande canos escrito Acido Sulfúrico, e tinhas umas torneiras da altura dos trens, talvez seja isso que transportavam, por ser uma área com grande quantidades de minas e salares, talvez o ácido ajude na retirar de algum minério ou do sal, não sei exatamente.
 
Cheguei em Calama por volta das 12:00, mais cedo que esperava. Por isso decidi atravessar para Bolívia hoje. O pessoal do Dakar havia passado por ali a 2 dias atrás, e tinha muitos vestígios deles pela cidade ou pela pista, placas indicando locais de acampamento, pela estrada cruzando com vários caminhões e camionetes carregando equipamentos, etc.
 
Fiquei andando por Calama por 1 hora mais ou menos, conhecendo a cidade, depois segui rumo a Ollague através da Ruta 21. A estrada era bem deserta, quase não cruzava com carros, e em alguns momentos parava a moto para contemplar aquele local, totalmente deserto, só o barulho do vento, mas não dava pra ficar muito tempo, o sol não estava perdoando nesse dia.
 
Alguns kms antes do Salar de Ascofan, terminou a pavimentação, começava agora a andar por estrada de terra, e com alguns trechos bem difíceis de passar com minha moto. Nesse momento, já não via mais carros, pessoas, ou cidades. Era só estações de serviços de extração de sal, ferrovias, e alguns vilarejos, porém abandonados…bem desertão mesmo.
 
Estava lá agora entre o Salar de Ascofan e Salar de O Carcote San Martin, quando vejo 2 motos se aproximando. Ao passarem por mim, me cumprimentaram, era 2 XT 660, e depois vi a placa do Brasil, hehehe, buzinei pra eles pararem, pararam e ficamos um momento ali conversando, era 2 homens de uns 50 anos e estava andando por ali, disseram que sempre andavam por ali, saia do Brasil para fazer as trilhas do deserto. Elogiaram o tanque da minha moto por caber 18 litros, enquanto a deles eram 13, e sempre tinham que carregar gasolina reserva, mas alertavam também pela estrada, já que minha moto não era apropriada para o terreno e ainda estava andando sozinho. Andei alguns kms com eles, mas entraram em outro estrada rumo ao Norte, e eu continuei ao Leste.
 
Aqueles 2 salares que havia passado era cenários maravilhosos, porém estava totalmente sem pilhas e não deu para tirar fotos. Cheguei então por volta das 17 em Ollague, um vilarejo muito pequeno, e sem supermercado para comprar pilhas, e pra piorar sem posto de gasolina. Devia estar com ¼ de tanque. Olhei do lado da Bolivia e tinha uma placa apontando Uyuni á 250 km. 5 litros de gasolina em estrada de terra sem saber as condições, andar 250 km era missão impossível. Mas vamos tentar né, voltar que eu não ia.
 
Custei achei alguém lá no prédio que fazia os tramites para sair do país, e enquanto estava fazendo lá a papelada, chegou um cara de uns 45 anos, estatura baixa, cabelo grisalho. Terminei a documentação e quando sai vi que ele estava em um troller, não tinha reparado na placa, mas resolvi esperar ele pra perguntar se ele sabia de posto ali próximo. Quando saiu comecei a indagá-lo sobre estacion de service, e logo ele percebeu que eu era brasileiro. Pra minha surpresa ele também era. De São Paulo, estava a vários dias viajando pelo Chile com uma amiga.
 
Ele disse que não havia posto ali próximo, que o troller era a Diesel e diesel ele tinha sobrando lá…mas se dispôs a me acompanhar até Uyuni, e caso desse algum problema a gente dava um jeito. E ai ai, tudo que eu precisava hein, nunca fui a Bolívia, mas pelas histórias já estava quase desistindo de passar por ali. Uma pessoa pra andar junto naquele pais não era nada mal.
 
Atravessamos a fronteira e ao chegar na Aduana Bolivia, mesma coisa, poucas pessoas trabalhando e sem muitas informações, as pessoas eram totalmente diferentes, tinha cara de índios, todos de cabelos lisos e olhos puxados, com pele bem marrom. Notava também a presença de soldados do exército em vários pontos, e pude notar que era sempre jovens, com no máximo 18 anos de idade, alguns até mesmo empunhando fuzis.
 
Fui a uma salinha preencher o formulário de entrada no país, e depois que já tinha começado a escrever fui informado que aquele formulário era pago. O estranho é que enquanto estava esperando minha vez tinha um folder grande em frente onde estava sentado dizendo claramente que nada poderia ser cobrado naquele local, e que a entrada no país era permitido pra qualquer um, sem pagar nada.
 
Quando o cara me disse isso, pensei ainda em apontar o folder, mas a cena que tinha em minha frente era a seguinte, sentado em uma sala de uns 3 por 3 mts, com a porta fechada, chão de madeira, paredes surradas, em uma simples cadeira, do outro lado da mesa cinza havia o boliviano mal encarado que havia me informado o valor do formulário, ele era meio baixo, careca, não tinha crachá e muito menos usava uniforme de aduaneiro. Do meu lado esquerdo tinha 2 garotos fardados empunhando um fuzil cada um deles.
 
Hehehe, desenhou a cena?? A situação não estava muito favorável, teria que pagar. Então perguntei quanto era, ele me disse 20 pesos bolivianos, perguntei então quanto era a cotação pro dólar, ele me disse que era 7 pra 1. Falei pra ele que não tinha peso boliviano, se ele aceitava peso chileno. Ele disse que sem problemas, abri a carteira então e só tinha notas de 5000 pesos chilenos, que da mais ou menos 12 dolares. Entreguei uma nota pra ele e disse pra me dar o troco em peso boliviano já que precisaria para abastecer a moto. Ele me olhou e disse “No hay cambio”.
 
O que?? Como assim?? O cara estava me cobrando 20 pesos bolivianos, que cada mais ou menos 3 dolares, eu havia dado 5000 pesos chilenos que dava 12 dolares, como não há troco?
 
Expliquei isso a ele, e ele me disse bem assim, “Aqui, la cotacion ser diferente”. Ele olhou para os soldados, olhei pra eles também, e tipo não demonstraram nenhuma mudança na face, continuavam olhando sérios ali pra mim. É, beleza então né. Formulário caro esse. Vai ficar por isso mesmo.
 
Eu tinha outra nota de 5000 na carteira e precisava de peso boliviano de qualquer maneira, já que tinha sido informado que ali pra frente só havia pequenos vilarejos e não encontraria nenhum lugar que aceitaria cartão, isso caso eu achasse combustível, coisa que também me falaram que não acharia. Perguntei então se ele poderia trocar os 5000 pesos chileno, e ele falou que trocava sim, colocou 30 pesos chilenos na mesa e falou: “Ai está”. Hehehe, preju novamente. Fiz a troca ali e sai da sala. Alertei o Pedro, motorista do troller sobre o fato e ele disse que era assim mesmo, que já estava com peso boliviano trocado pro formulário.
 
Aguardei ele terminar lá e seguimos viagem. Estava agora andando em terra bolivianas, sem GPS pois não havia mapa da Bolívia para meu GPS, o Pedro também não havia andando muito por ali, e não lembrava muito bem os caminhos, ele tinha um Garmim, mas não tinha rotas, somente apontava o lado que estava Uyuni.
 
E assim partimos rumo a Uyuni por volta das 18:00 com a moto na reserva em estrada de terra precária.
 
É isso pessoal, hoje o post será só até as 18:00, no próximo conto a história completa que foi até as 00:00, e que história hein. Abaixo umas fotos dos locais que passei, as fotos que tirei vai até a foto que tirei com os motoqueiros brasileiros, o resto é da Marcia, amiga do Pedro que foi tirando foto no troller, lembrando que andamos pelo mesmo caminho e ela tinha uma Nikon, modelo bem parecido com o meu, considerem então tiradas por mim.
 
 

 
 
 
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Sobre Moderador

Aventureiro, desbravador, em cima de uma moto, uma bicicleta, ou mesmo a pé, o céu é o limite.
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7 respostas para 2011/01/07 – Antofagasta – Ollague ( Fronteira com Bolívia )

  1. Serimar Sales disse:

    Ótimo o seu texto! Muito obrigado pelas dicas

  2. Leonardo Nogueira disse:

    Nossa! Que narrativa! Parabéns pelo texto e também pela viagem, deve mesmo ter sido muito emocionante! Sonho em fazer uma viagem dessas, tenho uma moto 125cc da Honda, e já fiz viagens de até 200 km nela, e em breve pretendo passar para uma 250cc e quem sabe fazer uma viagem dessas. Pretende algum dia fazer novamente um roteiro desses? Abraços!

    • Moderador disse:

      Olá, obrigado pela visita. Compre uma 250cc porque compensa rapaz, apesar de não ser uma moto tão grande, da pra fazer uma viagem como essa tranquilamente e não gasta tanto. Pretendo fazer outras sim, ainda pra esse ano estou com projetos de visitar agoras os países ao Norte do Brasil, ou quem sabe Peru que infelizmente não pude visitar nessa viagem. Abraços!!

  3. Leonardo Nogueira disse:

    Tudo bem? Obrigado por ter me respondido! Legal os países ao norte do Brasil, e também o Peru, que tem Machu Pichu, que deve ser incrível fazer uma rota por lá. Agora, já considerou a possibilidade de fazer uma viagem dessas pelo interior do Brasil? Também temos lugares incríveis, muita coisa bacana pra se conhecer! Moro no Ceará, e aqui por exemplo, temos regiões de serra e os sertões são diversão garantida! Eu mesmo sempre vou à serra da Ibiapaba de moto, cerca de 120 km de onde moro e garanto: vale a pena! Agora, a moto mais apropriada são as estilo traill, pois os altos impostos que pagamos nessa gasolina de péssima qualidade e o IPVA misteriosamente não são suficientes para nos dar uma qualidade mínima para nossas estradas, e você sabe quem paga essa conta… Mas enfim! Te desejo boa sorte nessa empreitada e vá em frente! Podemos fazer muito mais do que nos mesmos conseguimos imaginar que somos capazes!
    Abraço.

  4. Belen Lucero y Flia. disse:

    Ei Paulo, como vai você?, Nós somos a família Lucero, que estava em nossa casa no ano passado com sua bicicleta quebrada, Rivadavia, Buenos Aires Porvincia, sabemos que temos, se você alcançar seu sonho, é muito agradável para ficar em contato , queremos manter contato, e continuamos em contato, como minha filha e seu namorado está querendo visitar o Brasil, e com esse contato pode nos ajudar a ver as coisas muito mais barato para alugar, a idéia deles é ir no verão de 2012, é claro que se manter em contato, iremos enviar um grande beijo .. .. cuidate muito e nos dizer o que seria a sua próxima viagem …
    A próxima casa nós esperamos que você Milanese, mas não um bom churrasco argentino! Love you !!!.. .. .. Acessos

    • Moderador disse:

      Olá Belen, é muito bom poder receber um comentário seu em meu blog, vocês foram de grande importância na minha viagem, e a verdade é que aquele dia 24 de dezembro foi um dos dias mais emocionantes da viagem. Olha, vamos manter contato sim, meu MSN é overrideszc@hotmail.com. Se você quiser me ligar também, me manda um email que te mando meu contato. E quando ela vier pra ca, podem ligar que eu falo os melhores lugares pra ficar e tudo mais. Muito obrigado mesmo pela ajuda naquele dia e pelo seu comentário.

  5. Romario disse:

    oi meu nome e’ Romario e gostaria de dicas suas, pois eu me senti viajando com voce lendo o seu blog romariomh@yahoo.com

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